Expectativas sobre Criança com Autismo

Quando falamos de filhos, estamos tratando de desejar o que há de melhor para eles! Mas qual a diferença entre ter expectativas sobre a criança e lhe desejar o melhor?

O texto traz no título o enfoque na criança com autismo, mas, na verdade, este é um tema que se refere a todas as crianças!

Como não gerar Expectativas sobre Crianças

É natural que os pais, tios, avós, familiares em geral e principalmente a sociedade tendam a imaginar atividades a serem desenvolvidas pela criança baseadas no histórico de vida dos pais.

Acompanhe essa situação: se a mulher já fez ballet e é mãe de menina, então a criança vai fazer ballet. Se o homem já fez judô e é pai de menino, então a criança vai fazer judô!

Porém, estamos falando de uma criança, um ser humano, que tem os seus próprios gostos, desejos, preferências, aptidões, enfim… como pais e mães precisamos assegurar que nossos filhos façam as suas próprias escolhas, buscando aquilo o que lhe faz feliz!

Veja esse meu exemplo: eu e meu marido fomos bailarinos. Lembro quando eu estava grávida da minha primeira filha, e uma amiga psicóloga e psicanalista fez um comentário que me marcou.

Ela disse: “- Sua filha vai dançar ballet muito bem!” Lembro de ter pensado: “Quem garante isso? Ainda nem conheço a minha filha pessoalmente, não sei dos seus gostos, das suas aptidões…”

E então lhe disse: “- Ela vai praticar o esporte que ela quiser, de acordo com a preferência dela e da forma como ela conseguir.”

O fato deste diálogo ter iniciado de uma psicóloga e psicanalista revela o quanto essas expectativas estão postas no inconsciente coletivo, pois ela deveria ser a primeira a considerar que a minha filha é um sujeito de fato e de direito!

Este é um grande exercício da maternidade e da paternidade, não se projetar sobre a criança e não cobrar que um filho ou uma filha realize os desejos do pai ou da mãe, os quais já tiveram a oportunidade de fazer as suas escolhas.

Isso exige um grande desprendimento dos pais, no sentido de permitir que seu filho/filha exista enquanto sujeito. Os pais educam, ensinam, “dão as ferramentas” e podem até aconselhar, mas a escolha final é deste sujeito, o filho/filha.

Expectativas sobre Criança com Autismo

Dar liberdade de escolhas para a Criança

Trazendo o assunto para a criança com autismo, isso interfere em algo a mais…

Devido à dificuldade para realizar as atividades do dia a dia, os pais tendem a direcionar as atividades dos filhos, dizendo, mostrando e até mesmo ajudando a fazer, e determinando o que deve ser feito e como deve ser feito.

Há o lado positivo de quem está ensinando a fazer, mas, ao mesmo tempo, faz com que a criança não experimente como as atividades podem ser desenvolvidas.

 

 

Não faça escolhas, não pense em estratégias para resolver problemas simples como a blusa que quer vestir, e etc.

E para concluir e para finalizar…

Já ouvi de muitas mães de crianças com autismo a seguinte frase: “ – Eu sei que não posso ter expectativas sobre o meu filho.”

E a questão é que não devemos ter expectativas sobre os nossos filhos!

Devemos, sim, educar, ensinar, aconselhar e torcer para que eles façam as escolhas mais assertivas para as suas vidas!

Pois mesmo o filho neurotípico, com desenvolvimento neuropsicomotor normal, sem necessidades especiais, faz escolhas que diferem daquelas que os pais gostariam.

Da mesma forma, a criança com autismo pode surpreender, e tomar decisões mais assertivas do que aquelas pensadas pelos pais!

Por exemplo, aquelas que se saem muito bem com a matemática e o raciocínio lógico, e para resolver o trajeto a seguir para chegar ao seu destino, escolhem um trajeto mais curto em comparação com o trajeto escolhido pelos pais.

É claro que não me refiro, por exemplo, a escolher suas terapias, ou terapeutas, ou escola, ou remédio…

Mas me refiro a escolher o que vai vestir, nem que seja necessário você complementar com um casaquinho.

Escolher o que quer comer, nem que seja necessário bater verduras com a carne e o feijão porque senão ele não come.

Escolher como explorar um determinado brinquedo, depois de você ter mostrado a ele como o brinquedo funciona.

Sendo assim, estimule sua criança, apresente o mundo a ela, mas lhe permita fazer escolhas!

Um grande Abraço

Dra. Thais Pereira

 

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